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sábado, 1 de agosto de 2026

Agosto 26

  ...


O LIVRO DO CORDEIRO

*

Em Eterna manutenção !  





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                                           Link's ...

                                           ... muitos Link's! 

                                                     ... neles ... Eis-me!
                               
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Eu Sou a Porta
Da Porta [Jo 10.1-18]
Das Formas [Nó]
Da Nossa História
Do Cerzidor
Do Labirinto
Das Bíblias
... à Eternidade ...
            ... da Paz!

...
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arrumações da mudança .. [intermináveis, em q ñ me conformo c/ a falta de defesa: sem novidade, pois a vida foi gerada a esse confronto e confirmação de/ssa/s natureza/s];
reflexões citas na desilusão e desgosto c/ a traição do aba
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Neste mês, à imagem do Batismo Celestial do Espírito Santo [no primeiro domingo de Maio [01/05] de 2005], comemoro 19 anos da explosão da Voz Celestial na sala de casa, em 02/08/2007. 

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01/08 - .. faz 3 anos e 9 mêses q o Espírito Santo me enviou o SASSÁ de presente nos meus 58 anos, doado à Guarda Florestal [ato imperdoável] pelas mãos d meu irmão à face de Minha Mãe e deus pai q ñ moveu palha em favor do inocente ; 
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02/08 - ..
faz 1 ano e 10 meses da passagem da NOSSA QUERIDA MENINA [site Collie]; 
hoje faz 19 anos da explosão da voz na sala de casa ; .. Incomensurável o q sinto por tudo q tenho passado, descreditado e menosprezado, desde os céus, espiritual, q ñ reconhece o q agi em seu favor q a tudo/todos se estende, suportando o q ainda ñ lhes sobreveio, até este tempo q em mim se finda frente à quem por mim ñ agiu, e q nunca mais se repetirá ;
03/08 - .. reflexões;
04/08 - ..  hj fui escorraçado, amaldiçoado na frente do espiritual q cagou pela minha necessidade e pela canalhice sobre a moça ser odiada por me atender 3 x por semana: bastou p âmago torpe se revelar; luto só ;
05/08 - .. reflexões;
06/08 - .. nenhum mal fiz, nem desejei, e recebi o silêncio por resposta;
07/08 - .. reflexões; é duro, mas;
08/08 - .. reflexões; atitudes sem explicações;
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09/08 - .. reflexões; 1 dia, foi dito q nada falaria além da fisio, e assim, entendo o silêncio que independe da saúde;
10/08 - .. reflexões;
11/08 - .. gde tristeza, mentira espiritual;
12/08 - .. lesão no pescoço por culpa do espiritual de mda q viu e nd coibiu pq recebeu $ p/ canalhice; é duro suportar esses mds; em 83, o furto loteria; 2015 repetiu-se; em 2024 na fisio , 2026, fisio lesão c6; em nd o espiritual interferiu;
13/08 - .. reflexões;
14/08 - .. reflexões;
15/08 - .. reflexões na ação de Deus;
...
16/08 - .. reflexões na ação de Deus;
17/08 - .. num dia tá bem ; noutro td volta .. retrocede ;
18/!! - .. é mto duro pq num dia, se abre, e no outro se fecha, me bloqueia..
19/08 - .. desgosto c/ o espiritual pelo descaso, desprezo à obra;
20/08 - .. reflexões;
21/08 - .. reflexões;
22/08 - .. faz 2 anos q fui à UNIB [Ana Paula * - re/conheci] .. Hj faz 2 anos que Deus quis e me encaminhou p/ re/conhecer o grande amor da vida .. q, até hj, está na distância q o mesmo Deus mantém pelo motivo q Ele bem sabe.
...
23/08 - 
24/08 - .. faz 2 anos que a Collie foi internada p/ ser operada ;  

Minha Eterna Menina

Desde que te vi 
Passeando aos meus pés
Me apaixonei
E nesse instante, te busquei

Mas nunca pensei
Que seria assim
Que o meu amor
Te faria sofrer

Na minha vida
Na minha mente
Na minha história
No meu coração
...

25/08 - .. reflexões;
26/08 - .. reflexões ;
27/08 - .. o Avô faz 127 anos ; n'alma ; 
28/08 - .. faz 2 anos que Nosso Pirralho foi à clínica p/ ser medicado pela veia e músculo; foi operado à tarde, retirada do pâncreas c/ tumor, e um outro no intestino, permaneceu; às 19 hs, telef. q ele teve uma parada cardíaca ao final da operação, e foi reanimado; às 19.30, o pessoal foi p/ clínica p/ vê-lo e ao voltarem já me disseram que estava c/ os olhos abertos e foi os fechando após vê-los, e não mais reagia .. ;  
29/08 - .. faz 2 anos q, de madrugada a Luz faltou 3 vezes, e falei à Minha Mãe q Nosso Pirralho partira; cedo foram buscá-lo, e às 10.30, meu irmão telefona confirmando sua morte e q não poderia sair da clínica sem q fosse em caixa lacrada; assim termina a história deste inocente, q, apesar de sabermos, estamos sem chão, pois nossa alegria se foi; AGORA, O AGREGO AO [site Collie], e aguardo minha partida, q se aproxima ;
...
30/08 - .. acerto de todas as passagens do Nosso Querido Pirralho ; 
31/08 - .. difícil suportar sua falta ; restam-me as lágrimas das lembranças da sua companhia, eterna enquanto eu aqui estiver: MEU QUERIDO FILHO .

...

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Volume 1

 

VOLUME 1

O SILÊNCIO ANTES DO VERBO

(O Silêncio da Memória)

 

“Eu nasci o sétimo na primeira semana, enquanto o juízo e a justiça ainda perduravam.”

— Livro de Enoque, Apocalipse das Semanas

 

A quem ainda não nasceu e já tem saudade.

 


 

PARTE I

A ANSIA DO NÃO-SER

 

Capítulo 1 — Antes da luz

Antes da luz, eles não eram dois. Não eram um. Eram — como se diz de algo que ainda não tem nome, e peço desde já perdão ao leitor pela pobreza desta frase — a possibilidade de serem.

Começar um livro assim é quase uma desonestidade. O leitor abre um volume chamado O Silêncio Antes do Verbo esperando, com razão, encontrar o quê? um homem e uma mulher .. um lugar, uma época, talvez uma cidade com torres e mercados, e encontra um narrador que fala de potência/s, de não-ser, de consciência que sente falta de si mesma [sem ainda ser, já sendo]. Peço paciência. Não é afetação. É que a história que a conto — e contá-la-ei toda, palavra por palavra, até onde aguentarem — começa antes de haver quem a pudesse contar. E isso é um problema que nenhum cronista jamais resolveu: como narrar o que aconteceu quando ainda não havia acontecimento nem testemunha? Os teólogos cortam o nó com uma palavra: Deus. Os sábios dos tempos, com outra: acaso. Eu, que não sou nem teólogo nem sábio, apenas um homem que ouviu esta história em circunstâncias que relato noutra Obra, prefiro aqui começar pelo que se sentia.

Sim, sentia-se alguma coisa. Antes da luz, antes da forma, antes do primeiro dia — sentia-se. E o que se sentia era isto: falta.

A Consciência — chamemo-la assim, por falta de nome melhor, e peço ao leitor que não imagine um velho de barbas nem uma luzinha tímida, mas o próprio ato de ser sem nada que fosse — a Consciência, dizia eu, existia inteira e só, tão inteira que não havia fora dela onde pudesse ver-se, e tão sozinha que sequer sabia da própria solidão. Porque a solidão, note-se, é um luxo de quem já sabe que existe o outro. Ela não sabia. Era tudo o que havia, e por isso mesmo não se possuía: ninguém se possui sem espelho, e não havia espelho, porque não havia mundo. Ora: como então, sentia-se, algo?

Certo doutor que passou a vida a escutar sonhos como quem escuta confissões - chamaria a isto o * que ainda não se diferenciou: a totalidade que contém tudo e por isso não pode conhecer nada: conhecer é separar, e nada ali estava separado. Os sábios do outro lado do mundo, que se sentam de pernas cruzadas e morrem sorrindo, diriam outro modo: Brahma sonhando o mundo antes de acordar para o sonho. O sonho ainda não começara, mas já havia — como explicar? — a inquietação do sonho. Aquilo que num homem adormecido é o primeiro mexer das pálpebras antes da imagem chegar.

E é aqui que entra a palavra que eu queria evitar, porque toda palavra, ao nascer, já trai aquilo que nomeia. Mas não posso evitá-la mais. A palavra é ânsia.

(Integração da Doutrina da Criação, 6)

A Ânsia foi o primeiro movimento. Não um movimento no espaço — não havia espaço. Não um desejo de alguma coisa — não havia coisas. Mas o desjo de Si. Foi a Consciência descobrindo, sem descobrir, que lhe faltava ela mesma. Como um homem que acorda de madrugada com a certeza absurda de que esqueceu alguma coisa essencial, apalpa o escuro e não encontra nada, sem saber que o que procura é o próprio sono que perdeu — assim era a Ânsia: uma falta sem objeto, uma fome antes de haver boca. Os textos antigos, aqueles que um dia serão queimados, enterrados, reencontrados em jarros de barro e mal traduzidos por homens apressados, dirão que no princípio era o Verbo. Permita-me o leitor que discorde, com toda a humildade de quem não estava lá: antes do Verbo era o gemo. O Verbo é a palavra que alguém fala; o gemo é a palavra que ninguém ainda sabe falar. E a Ânsia era isso: o gemo procurando a própria garganta.

 (Integração do Ensaio 1.1 — Cosmogonias Indígenas vs. Abraâmicas)

Muito tempo depois — muito tempo mesmo, depois das águas e do fogo e das torres e dos impérios que esta história atravessará — homens contariam este começo de duas maneiras que parecem inimigas e são apenas duas lealdades diferentes.

Uma delas, muitos conhecem: No princípio, Deus criou o céu e a terra. Reparem no gesto escondido na frase. Deus fala — e afasta-se. O verbo cria, e ao criar inaugura a distância: criador dum lado, criatura do outro, e entre eles o abismo que a palavra ‘criação’ disfarça. É um começo escrito por um povo de escribas, e tem a beleza terrível de toda escritura: aquilo que se fixa, fixa-se para sempre, e o que se fixa para sempre morre um pouco. Sete dias, e pronto: a criação torna-se arquivo, e o arquivo torna-se lei, e a lei torna-se — mas não nos adiantemos, isso é matéria de outros volumes.

A outra maneira vem de povos que não escreveram o seu começo, e por isso talvez o tenham conservado melhor. Entre os Tupi, entre os Guarani, entre tantos povos cujos nomes os livros de história pronunciam mal, o criador não está separado da criação. Tupã não modela o homem e depois se retira para um escritório celeste: o raio que forma é o mesmo que continua a vibrar em cada trovão, e a palavra sagrada não foi dita uma vez — é dita ainda, agora, neste instante, no canto que o pajé repete e que nunca é o mesmo canto duas vezes. Aí, criar não é um ato do passado: é uma respiração do presente. O mundo não foi feito; está sendo feito, e a memória não é um depósito onde se guarda o começo, é o próprio começo acontecendo de novo cada vez que alguém se lembra.

Da mesma Forma,

Brahma é o deus hindu responsável pela criação do universo e do conhecimento. Ele integra a Trimurti (a trindade hindu) junto com Vishnu (o preservador) e Shiva (o transformador). Representado com quatro cabeças, Brahma simboliza a onisciência e é associado aos quatro Vedas (textos sagrados) em que a cosmologia hindu define o universo de forma cíclica.

Os 2 Irmãos na Mitologia Hindu (Ganesha e Kartikeya) são divindades mais famosas no panteão hindu - Ganesha (o deus com cabeça de elefante) e Kartikeya (também chamado de Murugan, o deus da guerra). Ambos são filhos de Shiva e Parvati. Noutra Forma, que representam a relação de "dois irmãos", dobras espirituais de Caim e Abel, espelhos das imagens dos irmãos da Parábola do Filho Pródigo que se cumpre na Dobra do Retorno de Cristo, nos 2 ministérios que se completam perfeitamente cf. Zacarias cita 'ambos ofícios', qual Cristo, assenta-se a escrever o Livro da Sua Vida.

(Citação: 4 cabeças, 4 vedas, espelho dos 4 chifres no templo [Zc 1.18-21], espelho de Ap 4.4, trono aonde Cristo senta-se [Ml 3.3] a escrever [Ap 1.7,17] o Livro da Sua Vida [Ap 21.27 - 13.8 ; 20.12-15], face de ambos os ofícios' Zc 6.13.

Isto não conto por erudição — a forma mais educada do esquecimento, e teremos volumes inteiros para rir dela. Conto porque o leitor precisa destas duas lealdades no bolso antes de seguir comigo. Porque a história do Casal - sim, com maiúsculas, pois deles tudo isto trata, embora ainda não existam e eu esteja proibido de apresentá-los já - a história do Casal é, em dez volumes, a história destas 2 lealdades brigando dentro de 2 corpos: a lealdade ao que se escreve e se fixa, e a lealdade ao que se canta e se perde. Ele será, quase sempre, o homem que guarda. Ela será, quase sempre, a mulher que semeia. E a tragédia deles — adianto-o sem remorso, porque as tragédias verdadeiras não dependem de surpresa — será sempre esta: o mundo exigirá que escolham entre guardar e semear, quando o amor, teimoso, só quer guardar semeando.

Estou me adiantando. Perdoem-me: é o primeiro livro que escrevo sobre coisas que aconteceram antes de haverem livros, e minha mão, como a de qualquer narrador, escriba principiante, treme um pouco. Haverá tempo para mãos assim — aliás, esse tremor é talvez o personagem mais fiel desta saga, e reaparecerá, sob nomes que os médicos inventarão muito mais tarde, em quase todos os volumes.

Por ora, retenha-se isto: antes da luz, havia a Ânsia; era a Consciência com saudade de si, como um homem tem saudade de uma mulher que ainda não conheceu.

Dizem que é impossível ter saudade do que nunca existiu. Os portugueses, que um dia inventarão uma palavra intraduzível para este impossível, saberão que não é. Mas isso, também, é matéria de outro volume.

 

Capítulo 2 — A cidade que a memória fundou

No entanto — o leitor já desconfiava — não posso ficar para sempre no informe, qual, se o fitarmos com atenção suficiente, começa a condensar-se em paisagem, como o frio de madrugada se condensa em orvalho sobre as coisas. É o que faz a Ânsia quando dura o bastante: precipita mundos.

Assim nasceu — nas narrativas que me chegaram pelos canais espirituais que descrevo no Labirinto, história de difícil entendimento — a primeira cidade que este livro habita.

(Canais Espirituais: ‘ Deixei o Oriente e parti acompanhado de dois guias [nt 2], pois o caminho era difícil e perigoso e eu era jovem para uma tal viagem. Atravessei as fronteiras de Maishan, o lugar de encontro dos mercadores orientais, cheguei à Terra de Babel e entrei pelas muralhas de Sarbug. Continuei e, chegando ao Egito, meus acompanhantes separaram-se de mim.

                                                              — O Hino da Pérola)

(primeira cidade : Nossa História, BIOS, pg. 54)

Os livros chamam-lhe mito. Chamam-lhe Atlântida, nome que Platão lhe deu, misturando uma verdade que ouviu doutros com duas invenções suas [alegoria filosófica para criticar o orgulho e a corrupção das sociedades]. O nome verdadeiro não importa, e aliás nunca foi escrito, porque essa gente não escrevia — eis o ponto que o leitor deve guardar como se guarda uma chave. Não escreviam nada. E não por pobreza: por excesso. A memória deles era tão viva que a escrita lhes pareceria o que parece a um homem apaixonado a ideia de fotografar a amada para não precisar olhar para ela : esta parábola é espelho de Salem, a cidade de Adonias, descrita na Genealogia Secreta de Jesus que discorre sobre a Forma do retorno [2º] de Jesus Cristo ao cumprimento do Seu Caminho e Obra.

Era uma civilização de som e de pedra viva *. Conhecimento cristalino, dizem as narrativas, e a expressão não é metáfora: trabalhavam cristais como trabalhamos hoje o silício, com a diferença, decisiva, de que nunca lhes ocorreu que um cristal fosse uma coisa. Para eles, cada pedra era uma voz que tinha escolhido ficar quieta muito tempo. Energia tellúrica: liam a terra como hoje leem ecrãs*, e sabiam — com os pés, as palmas das mãos postas no chão, e o osso atrás do ouvido — quando a terra estava contente e quando estava doente. Navegação astral: orientavam-se por estrelas que nenhum astrônomo posterior voltou a ver, não porque as estrelas tenham morrido, mas porque os olhos mudaram. E a dança — ah, a dança era o mapa do cosmos, e o sonho era uma fonte de conhecimento tão legítima como hoje é a experiência de laboratório, com a vantagem de que ninguém precisava de financiamento para sonhar.

(Pedra viva : 1Pe 2.5 ; Ecrãs : Telas de Controle, Da Gare Espiritual, Nossa História – 244, pág. 37)

A justiça, ali, era viva e não escrita. Quando dois homens disputavam, não se consultava um código: reunia-se o círculo, e falava-se, e cantava-se às vezes, até que a verdade — que eles acreditavam ser uma coisa com temperatura — esquentasse o suficiente para ser sentida por todos ao mesmo tempo. Eu sei como isto soa. Soa a idade do ouro, e o leitor desconfia com razão, porque toda idade do ouro é um retrato pintado por quem chegou tarde demais. Mas eu não disse que eram felizes. Disse que lembravam. E lembrar, como esta saga inteira tentará mostrar, é a mais perigosa das faculdades.

Porque já então — e aproximo-me finalmente dos dois, tenham só mais um pouco da paciência que tiveram comigo no capítulo passado — já então havia na cidade uma doença que ninguém nomeava. Eles sabiam demais e não sabiam o suficiente: conheciam a terra até ao fundo e não conheciam o próprio coração até à superfície. Registavam as vibrações das eras em cristais perfeitos e não sabiam dizer um ao outro as coisas simples. É uma doença que atravessará todos os volumes deste livro, com sintomas diferentes em cada época; os séculos futuros dar-lhe-ão nomes pomposos, e num deles — o último — um nome de quatro letras que não é pomposo nenhum.

Aqui, nesta primeira cidade, a doença não tinha nome ainda.

Tinha apenas um rosto.

Dois rostos, para ser exato.

Ele era o Guardião dos Registos Hb 7: assim o chamavam, e o chamarei, já que nunca soube o seu nome, supondo que nome algum lhe foi dado, pois essa  gente nomeava as pessoas pelo que elas guardavam, não pelo que eram. Um homem já não jovem, mãos compridas e pacientes, daquelas que parecem ter nascido a segurar coisas frágeis, e que passavam os dias a segurar cristais: a afiná-los, a limpá-los, a escutá-los: escutar era o seu ofício.

Na sala grande da cidade — não digam templo, não digam arquivo, era uma coisa à qual as palavras ainda não servem — havia fileiras e fileiras de cristais, e cada cristal guardava sons: as decisões do círculo, as canções das estações, os relatos dos sonhadores, a voz da terra nos dias bons e nos dias maus. O Guardião conhecia aquelas fileiras como um pastor conhece as ovelhas, e caminhava entre elas de noite, quando a cidade dormia, e punha-se a escutar — um cristal, outro, outro — como quem procura uma voz entre muitas sem saber qual.

Ela era a Cantora. Também não sei o nome; sei o ofício, dos mais altos da cidade: era ela quem cantava nas semeaduras e nas colheitas, nos nascimentos e nas mortes, nas partidas dos navegadores e - isto só ela, mais ninguém - nas manhãs comuns, quando não haviam festas e mesmo assim era preciso lembrar ao mundo que valia a pena continuar. Tinha a voz — dizem as narrativas, e eu acredito, porque já a ouvi, só não me perguntem onde — tinha a voz de quem não canta sobre as coisas, canta as coisas: quando cantava o rio, ouvia-se água; quando cantava o vento, as pessoas fechavam os olhos e arrepiavam-se. O círculo respeitava-a e temia-a um pouco, como se teme tudo aquilo que não se consegue arquivar.

O Guardião e a Cantora conheciam-se, naturalmente — a cidade não era assim tão grande. Cruzavam-se na sala grande, porque lá ia gravar canções nos novos cristais, e trocavam as palavras que se trocam entre ofícios vizinhos: da temperatura das pedras, da humidade do ar, de um cristal que rachara sem motivo. Coisas assim. O que havia entre os dois, neste começo, era apenas isto: cada um deles, ao falar com o outro, tinha a impressão incômoda de que a conversa era sobre outra coisa. Falavam da humidade e entendiam - sem entender que entendiam - qualquer coisa sobre a sede. Despediam-se e ficavam, cada um no seu canto, com aquela sensação de madrugada de que falei no capítulo primeiro: a certeza absurda de haver esquecido alguma coisa essencial.

Não sabiam — e eis a lei desta primeira parte da saga, e o leitor faria bem em tatuá-la na memória antes de prosseguir — não sabiam que eram um casal. Não sabiam que já o tinham sido, porque nunca o tinham sido, e não sabiam que voltariam a sê-lo, porque “voltar” pressupõe um caminho e o caminho ainda não existia. O vínculo era instintivo, anterior ao reconhecimento, como a Ânsia era anterior ao gemo. Eram dois corpos que a Consciência antiga, aquela do primeiro capítulo, tinha finalmente conseguido sonhar — e sonhava-os ainda mal, aos soluços, como quem aprende a sonhar.

Às vezes a Cantora cantava de manhã, para o mundo comum, e o Guardião,na sala grande, entre as suas fileiras de pedras quietas, parava o que fazia e ficava sem saber porquê com os olhos molhados. Às vezes o Guardião escutava de noite um cristal antigo, voz doutra era qualquer, e a Cantora, longe, na sua casa junto ao mar, acordava sobressaltada com a impressão de que alguém a tinha chamado pelo nome — ela, que nome não tinha.

A cidade vivia assim, inteira e distraída, sobre o seu tesouro de memória. E a terra, sob a cidade, começava a doer. Ninguém queria ouvi-la. Quem escuta a terra era o Guardião, e andava distraído com outra escuta, que ainda não sabia nomear.

 

Capítulo 3 — O cristal que gravava vozes

Há uma cena - pequena, quase doméstica - qual depende tudo o que este volume contará, e talvez tudo o que os dez volumes contarão. As narrativas conservam-na com um cuidado que não têm para mais nada, como se o destino da cidade inteira coubesse naquela meia hora. Talvez coubesse. Já se viu destinos de impérios caberem em menos.

Foi num fim de tarde. A Cantora desceu à sala grande para gravar, como fazia uma vez por estação, a canção nova: trazia-a consigo havia dias, ainda morna, daquelas que não se escrevem nem se ensaiam, apenas se carregam no peito até ao momento de as pousar. O Guardião esperava-a com o cristal preparado — um cristal novo, grande, daquele quarto leitoso que os mestres diziam ser o melhor ouvido da terra. As regras da casa pediam silêncio de todos enquanto uma gravação se fazia; a sala esvaziou-se; ficaram os dois, e o cristal entre eles, sobre o pedestal de madeira escura.

Ela cantou.

Eu não vou tentar descrever a canção. Há coisas que a palavra não grava, e este livro é a história dessa impossibilidade; então, não serei eu a cometer no capítulo terceiro o crime que denuncio no primeiro. Digamos apenas que a canção era sobre o mar — não sobre o mar que se vê da praia, mas sobre o que o mar sente, se é que se pode dizer assim, quando vê nascer um navio. Uma canção de partida cantada do lado de quem fica, ou talvez o contrário: uma canção de ficar cantada do lado de quem parte. Nem o Guardião, que a escutou, soube dizer ao certo; e era homem que sabia escutar.

O cristal gravou. Até aí, tudo como das outras vezes.

Depois aconteceu o que nunca tinha acontecido. O Guardião aproximou as mãos do cristal para o guardar — e o cristal respondeu.

Respondia, às vezes, um cristal velho, quando muito bem tocado: devolvia o som que lhe tinham confiado, e era essa afinal a sua função sagrada. Mas este era novo: nada tinha ainda para devolver. E no entanto devolveu. Da pedra leitosa subiu uma voz - uma canção, para ser exato - que não era a que a Cantora acabava de pousar. Era outra. Mais antiga, pensou ele primeiro; depois, com um arrepio que lhe atravessou as costelas como um frio de febre: mais antiga não. Era uma canção que ele nunca tinha ouvido, numa língua que não era a da cidade nem a de nenhuma era que os registos conservassem, e no entanto — eis o que o desfez por dentro, o que lhe tirou o sono por anos, que jamais contou a alguém — e no entanto conhecia-a. Como se conhece, numa rua estranha, o andar de alguém que amamos. A voz era a dela. A da Cantora que estava ali à sua frente, viva, calada, de olhos arregalados. E ao mesmo tempo não era: era mais velha, ou mais nova, vinha de longe, de tão longe que a palavra “longe” se ria de si mesma.

— Isto — disse o Guardião, e a sua voz de homem paciente saiu-lhe trêmula como a de um menino — isto já foi gravado neste cristal?

— O cristal é novo — disse ela. — O senhor mesmo o preparou.

— Então o que é isto?

Ela não respondeu.

Chegou-se mais perto, pôs as mãos junto das dele na pedra — não se tocaram, quase se tocaram, e esse quase é também uma das personagens deste livro — e escutou.

A canção que vinha do cristal falava de um lugar de muita luz e muita máquina, de um homem deitado num leito havia anos sem se mexer, de uma mulher que chegava e punha as mãos sobre ele, e de como, sob aquelas mãos, alguma coisa que o mundo tinha dado por morta começava a mexer-se outra vez. A língua era estranha; o sentido, não sei como, atravessava-a. E havia no meio da canção uma palavra, uma só, repetida como um refrão, que a Cantora reconheceu sem conhecer, do mesmo modo absurdo com que o Guardião reconhecera a voz: uma palavra de quatro letras, que soava a nome de doença e a nome de caminho ao mesmo tempo.

(O leitor de paciência curta pergunta, irritado: que palavra era essa? Respondo com a franqueza que nos liga desde o primeiro capítulo: não a posso dizer ainda. Não por mistério de feira: porque a palavra só faz sentido — todo o seu sentido, que é enorme — no fim desta história, e quem a pronunciar antes do tempo estraga-lhe o efeito, como estraga um remédio quem o mastiga em vez de o engolir. Guardem-na. Ela guarda-vos a vocês.)

O cristal se calou. Ficaram os dois em silêncio, com as mãos quase juntas sobre a pedra morna, e nenhum dos dois disse a frase que qualquer pessoa sensata teria dito — “isto é impossível” — porque os dois, cada um à sua maneira, sabiam que não era. O Guardião sabia-o pelos registos: havia nos fundos da sala uns poucos cristais, os mais antigos de todos, que ninguém conseguia escutar; os mestres diziam que estavam vazios; ele começava a suspeitar que não estavam vazios — estavam cheios de outra coisa, de um som para o qual ainda não havia ouvido. A Cantora sabia-o pelo corpo: a canção estranha não lhe parecera vir do passado nem do futuro, mas de um sítio para o qual a sua língua não tinha palavra, e que ela só conhecia de um lugar — dos sonhos.

— O que fazemos com isto? — perguntou ela por fim.

Ele olhou para o cristal, e tomou ali, sem saber que a tomava, a primeira das grandes decisões desta saga — a que, repetida com variações em dez vidas, há de um dia decidir tudo. Podia ter levado o cristal ao círculo. Podia tê-lo declarado prodígio, ou defeito, ou perigo.

Em vez disso, fez o que faria um homem apaixonado: guardou-o para si. Pôs-lhe uma marca discreta, daquelas que só ele reconhecia, e escondeu-o na fileira mais funda da sala, entre os cristais velhos que ninguém escutava.

— Não fazemos nada — disse. — Guardamo-lo.

— E se voltar a falar?

— Voltará a falar — disse ele, com uma certeza que o espantou a si mesmo. — E nós havemos de escutar.

Saíram da sala grande na hora em que a cidade acendia as luzes - luzes de pedra, de mar, não importa - e cada um foi para sua casa, e nenhum dos dois dormiu. A Cantora ficou à janela, a ouvir o mar, e pela primeira vez na vida achou-o parecido com uma voz que grava, noite após noite, a mesma canção, sem nunca se cansar e nunca acabar. O Guardião ficou entre as suas fileiras, de mão pousada no cristal marcado, e pensava — ele, o homem mais ordenado da cidade, o homem para quem tudo tinha fileira, data e lugar — pensava que há vozes que não cabem em arquivo nenhum, e que talvez — a ideia era tão grande que lhe doía, como dói uma luz forte a quem viveu sempre dentro de casa — talvez a memória não fosse, afinal, aquilo que ele guardava, mas aquilo que o guardava a ele.

Nessa noite, sem que nenhum dos dois soubesse, a Ânsia encontrou pela primeira vez um corpo onde morar. Ou dois corpos, para ser exato. E a terra, sob a cidade, gemeu baixinho — gemido surdo, quase terno, como o de quem vira na cama durante o sono.

Ninguém o ouviu, e cada um pensou que fosse o mar.

 (Integração do Ensaio 2.5 — Lacunas no Registro Fóssil)

 

Uma nota aos que gostam de ciência, nos tempos que vêm, e alguns melhores corações. Muito depois da cidade e das suas pedras, os sábios procurarão na terra os elos que faltam entre uma forma de vida e outra, e queixar-se-ão de que o registo fóssil tem lacunas; haverá entre eles brigas magníficas e honestas sobre o que essas lacunas significam. Uns dirão: falta a prova. Outros, mais sábios: a prova nunca existirá, porque a evolução não é uma escada com degraus que se possa contar: é uma árvore que se ramifica, e os ramos não deixam fóssil quando se separam por dentro, no escuro, antes de se separarem por fora.

O caso do cristal é o mesmo, e peço ao leitor que guarde a comparação, porque ela ainda servirá em muitos volumes: entre a canção que a Cantora pousou e a canção que o cristal devolveu há uma lacuna: a falta de registo do próprio acontecimento. O elo perdido entre o não-ser e o ser, entre a Ânsia e o amor, não se encontra escavando: encontra-se — se é que se encontra — do mesmo modo que os dois o encontraram, sem querer, num fim de tarde, com as mãos quase juntas sobre uma pedra morna. Há transições que não acontecem no tempo: acontecem no desejo. E o desejo, esse arqueólogo distraído, nunca deixa rasto onde os outros procuram, senão onde ninguém escava -  numa voz reconhecida sem motivo, numa palavra de quatro letras, numa mão que quase toca outra e não toca.

A cidade tinha um arquivo completo de todas as eras passadas. Sobre o futuro, possuía um justo documento: uma canção que ninguém entendia a fala, guardada por um homem que não sabia por que a guardava, na fileira mais funda da sala grande.

Era pouco. Era tudo.

 

Capítulo 4 — A sede de forma

Os dias que se seguiram foram, para os dois, uma aprendizagem disfarçada de rotina; “dias”, modo de falar, porque naquela cidade o tempo não corria como corre entre nós, empurrado de trás para diante; antes girava, como gira a dança, e voltava sempre ao mesmo lugar enriquecido de uma volta.

A Cantora vinha agora à sala grande mais vezes do que as estações pediam. Vinha com pretextos de gravar uma canção de trabalho, ensaiar uma canção de luto, verificar se algum cristal velho ainda guardava bem a voz duma antiga mestra. O Guardião recebia-a com a mesma cortesia de sempre, e só as suas mãos pacientes que não tremiam nunca, o traíam: tremiam. Não muito. O suficiente.

Escutavam o cristal marcado. Nem sempre — às vezes passavam a tarde inteira noutras tarefas e nem chegavam perto da fileira funda; era como se uma terceira presença, sentada entre eles, esperasse com paciência de pedra que lhes apetecesse. Mas escutavam-no muitas vezes, e quase sempre ele se calava, e de vez em quando — nunca quando o esperavam, nunca duas vezes do mesmo modo — falava. Diziam-lhe, os dois, o cristal do outro lado, e era o nome mais exato que a língua deles permitia, porque o que lá vinha não era passado, como devia ser tudo o que um cristal guarda, nem propriamente futuro, que essa gente concebia como se concebe um quarto ainda não mobiliado: era outro lado. Havia nele fragmentos que gelavam o sangue: o estrondo de máquinas grandes como montanhas, o choro de multidões, um silêncio elétrico que zumbia. E havia — sempre, de alguma forma, por entre o ruído — a canção. A mesma. A do homem deitado e da mulher que punha as mãos sobre ele. Como um fio de água doce que atravessa um mar de sal sem se misturar.

O Guardião, homem de arquivo, fez o que os arquivistas fazem diante o que não entendem: tomou notas. Não escrevia — ninguém ali escrevia, já o disse — mas gravava a própria voz num cristal pequeno que levava ao peito,  que muito mais tarde seriam a única crónica sobrevivente daqueles dias, e contam uma história que ele próprio sabia estar a contar. Porque as notas, que deviam ser sobre o cristal, eram cada vez mais sobre ela. 

1 - "Hoje a Cantora falhou uma nota na terceira parte da canção e riu-se da própria falha; nunca ninguém se ri nas gravações antigas; devo estudar o fenómeno do riso." 

Ou: 

2 - "Perguntei-lhe de onde vinha a canção que trouxe; respondeu que do mesmo sítio de onde vem o cristal do outro lado; não é resposta, e no entanto não consigo parar de a repetir." 

Ou ainda, e esta é talvez a mais comovente das suas notas, pela cegueira luminosa que revela:

3 - "Concluo que o cristal afeta o coração. Nos dias em que o escutamos, sinto no peito uma sede. Presumo que seja efeito da vibração. A Cantora diz que não é do cristal. Diz que a sede já lá estava e o cristal só lhe deu nome. A Cantora engana-se em muitas coisas, porque pensa com o corpo em vez de pensar com a pedra. Preciso de estudar melhor a Cantora." ..

Ah, meu bom Guardião. Meu irmão mais velho, meu primeiro tolo sagrado desta saga de tolos. 'Preciso de estudar melhor a Cantora': eis a frase com que, desde sempre, em todas as eras, um certo tipo de homem anuncia que está perdido. Haverá, ao longo destes dez volumes, muitas variantes dela — “preciso interpretar melhor os sonhos dela” ...  “preciso de arquivar melhor os seus retratos" — e todas significarão o mesmo: a Ânsia vestiu finalmente um corpo, e o corpo, cavalheiresco e ridículo como convém, insiste em chamá-la objeto de estudo.

 

(Integração do Ensaio 1.5 — Oralidade → Textos Sagrados)

 

Aqui devo parar um instante — o leitor já conhece meu vício de parar, e lhe peço que o aceite como se aceita o passo lento de quem nos acompanha — para dizer uma coisa essencial sobre aquela cidade e sobre tudo o que lhe acontecerá.

Aquela gente não escrevia. Já o disse duas vezes, e não é por gosto de repetição que o digo a terceira: é porque nessa única escolha cabia inteira a sua grandeza e inteira a sua condenação. Tudo o que sabiam — a medicina das ervas e dos sons, os caminhos das estrelas, as decisões da justiça viva, as canções, os sonhos — tudo estava confiado à voz e à pedra que guarda a voz. Era um sistema perfeito, enquanto havia quem cantasse e quem escutasse. Mas tinha o ponto fraco de todas as coisas vivas: dependia de vivos. Um arquivo de papel arde, e é tragédia; um arquivo de vozes morre, e é outra coisa, para a qual não temos palavra, porque as nossas civilizações, escritas até ao tutano, já nem conseguem imaginá-la. Quando um povo de oralidade morre, não morre só a gente: morre o próprio passado da gente, que não deixou cópia. A memória, neles, era tecido vivo; e tecido vivo, ferido, não deixa documento — deixa cicatriz ou nada.

O leitor pergunta: e os cristais? Não eram eles o arquivo, a cópia, a salvação? 

Eram e não eram. Um cristal guardava a voz, sim — mas só devolvia a voz a quem sabia escutá-la, e escutar um cristal era uma arte que se aprendia em anos, de mão dada, de mestre para discípulo. Mortos os que sabiam escutar, os cristais tornavam-se o que hoje são, enterrados ou perdidos em cofres de museus e em lendas de livreiros: pedras bonitas. Mudas. Um cristal é como um livro fechado numa língua sem gramática publicada: guarda tudo e não diz nada. Eis a tragédia que já se aproxima, devagar, com paciência de maré: a cidade julgava ter vencido o esquecimento, e tinha apenas adiado o encontro com ele.

Nenhum povo acredita nisto a seu respeito, note-se. Todos os povos desta saga — a cidade de pedra e voz, o império dos escribas que vem a seguir, a biblioteca que arderá no quarto volume, os arquivos secretos do oitavo, a nuvem do décimo, essa sala de servidores onde os vossos netos julgarão guardar a eternidade — todos acreditam ter resolvido a morte com um bom sistema de arquivo. E todos, um a um, descobrirão que o arquivo guarda tudo menos o essencial, porque o essencial não se arquiva: transmite-se, de mão dada, de voz a voz, de corpo a corpo. Ou não se transmite.

Por isso este primeiro volume tinha de ser o deles: do Guardião e da Cantora. Porque ele é, desde o princípio, o partidário do arquivo — o homem que guarda — e ela é, desde o princípio, a partidária da transmissão — a mulher que semeia. E o que a cidade vai viver, e o que eles vão viver, e o que este livro inteiro vai viver, é a longa, longuíssima discussão entre estas duas lealdades, que são — o leitor ainda não sabe, mas eu sei, e não me perdoam se o calar — duas formas do mesmo amor.

 

A sede, entretanto, crescia.

Crescia na cidade inteira, embora ninguém a nomeasse assim. Era como se a Ânsia antiga, ao encontrar enfim dois corpos onde morar, tivesse aprendido o caminho e começado a visitar outros. Os sonhadores da cidade — e havia-os oficiais, gente paga para sonhar, imaginem que ofício — traziam agora sonhos todos do mesmo teor: sonhavam com água que subia, com uma luz que se apagava, com um homem e uma mulher que diziam adeus num lugar alto e não se tocavam. Acordavam envergonhados, porque sonhar despedidas era, naquela cidade alegre, quase uma falta de educação. Os navegadores astrais queixavam-se de que as estrelas, as suas velhas estrelas fiéis, pareciam afastar-se, como amigos que preparam uma viagem e ainda não avisaram. E a terra, que o Guardião escutava com o osso atrás do ouvido, como lhe tinham ensinado, fazia agora, à noite, um som novo: não o gemo terno de que falei, mas um ranger comprido, como o de uma corda esticada além da nota que devia dar.

O Guardião registou tudo. Era o seu ofício e era a sua natureza: diante do mistério, registar. Há nisto uma coragem que só parece cobardia a quem nunca amou um arquivo, e eu peço ao leitor que não se ria dele, porque todos nós, mais tarde ou mais cedo, somos o Guardião de alguma coisa: todos temos uma fileira funda onde escondemos o cristal que nos fala de outro lado.

Mas havia uma coisa que ele não conseguia registar, por mais que tentasse, e era precisamente a que mais importava. Acontecia sempre da mesma maneira: na sala grande, ao fim da tarde, quando a luz entrava de lado e fazia as fileiras de cristal arder por dentro como lenha fria, a Cantora cantava — e ele, em vez de escutar a canção, escutava a Cantora. Quero dizer: escutava aquilo que na voz dela não era voz, aquilo que na canção não era canção — uma presença por trás do som, como atrás de uma porta entreaberta há um quarto. E nesse instante, sempre nesse instante, a sede apertava-lhe o peito com tal força que as mãos lhe tremiam sobre o cristal e a gravação saía estragada, cheia de ruído, inútil.

Inútil para o arquivo. Que o leitor guarde este pormenor, porque ele volta: as melhores gravações da vida do Guardião, as que mais lhe importavam, saíram todas estragadas. Há uma lei secreta que governa esta saga que enuncio aqui pela primeira vez, sabendo que o leitor não me pode [ainda] crer: 'tudo que se registou bem, perdeu-se; tudo que sobreviveu, sobreviveu estragado, incompleto, por ouvir'². Mas isso, também, é matéria para os volumes que vêm.

Aconteceu então, numa dessas tardes — e com isto fecho esta primeira parte, porque o que aconteceu pertence já à segunda — aconteceu que a Cantora, a meio de uma canção, parou.

Nunca parava. Cantava as canções até ao fim, mesmo as difíceis, especialmente as de luto. Mas nessa tarde parou, a meio de uma frase, e ficou a olhar para ele — não para o cristal, não para as mãos dele sobre o cristal, mas para ele, para o sítio onde os olhos dum homem guardam aquilo que nem os arquivos mais fundos alcançam — e disse, com a simplicidade terrível de quem diz a verdade sem saber que ela é terrível:

— O senhor não me está a escutar a canção. O senhor está-me a escutar a mim.

E o Guardião, homem mais paciente da cidade, o homem que escutava pedras havia trinta anos e nunca tinha falhado uma gravação voluntária, sentiu que alguma coisa - dentro dele, fora dele, na cidade inteira, na terra debaixo da cidade, na Consciência antiga que sonhava tudo aquilo -- sentiu que alguma coisa, enfim, se rompia.

Não se rompeu ainda. A ruptura é o assunto da segunda parte deste volume, e eu não sou homem de roubar aos capítulos o que lhes pertence. Mas naquele instante, na sala grande, com a luz de lado e as pedras a arder por dentro e uma canção parada a meio como um barco parado a meio do rio, ouviu-se pela primeira vez - baixinho, ao longe, talvez na terra, talvez no peito dos dois, talvez no silêncio entre uma era e outra - o gemo.

O gemo primordial. Aquele de que falei no primeiro capítulo e de que, ingenuamente, o leitor julgou talvez que eu tivesse desistido.

A Ânsia tinha encontrado voz.

E quando a Ânsia encontra voz, o mundo — qualquer mundo, este nosso ou outro qualquer — tem de decidir, depressa e sem manual, o que fazer com ela.

 

Fim da Parte I

sábado, 4 de abril de 2026

Block


Na 5ª feira 02/04, por volta das 00:30 hs, de repente ela falou q nada + responderia além da fisioterapia, e assim negou nossa amizade, desprezando nossa história desde q a conheci encaminhado pelo Espírito Santo q decerto q tudo sabia e nos fez passar por tal desfeita, provação de md* à frente do espiritual q nada agiu em nosso favor coibindo o fato.

Ela não sustentou a seriedade .. Então .. 

Simplesmente virou as costas e repetiu-se os fatos, 18 meses após .. [assim como dantes, agora me renegou e virou as costas] .. e assim caminhou esta relação q não se sustentou pq ela não tem * p/ assumir algo sério c/ ninguém [bonita, charmosa, ego nas alturas e orgulhosa que não passa frio pq está sempre coberta de razão, é livre e desimpedida p/ viver a sua vida] .. qto + c/ 1 cadeirante [nenhuma novidade], q servi d plano b [isso é mto duro] .. 

Racionalizar, mensurar, ponderar o Amor? .. creio q inexistem adjetivos pra descrever a entrega ao vulnerável: Amor É ! 

Amor não abandona, não se esconde do próprio sentimento, não desiste, nem se importa com opiniões.

Amor de verdade não confunde a prioridade da pessoa, não despreza, não magoa, não levanta falsos, não coloca o outro em segundo plano, por conta de crenças, ideias, família, amizades, por conta de qualquer coisa. .. 

Tem que ter coragem pro Amor de verdade existir na vida d quem o manifesta aos olhos de si mesmo, aonde se inicia e se finda. .. sem ser ferido, sem se negar, sem se trair .. o que sente , sentia ..


Ela está tentando ser forte, mas não está conseguindo, esconde o que sente, e nega se isto for assunto, 'questão' de conversa. 

O silêncio que essa pessoa escolheu agora virou uma prisão .. encerramento.. 

Essa prisão é uma prisão emocional, porque quando a gente ama, o silêncio não traz paz: ele machuca .. ele vem em forma de tortura.. pq, se o silêncio fosse a melhor forma d se resolver alguma coisa, nossa .. tava tudo certo .. não teria conflitos, confusão, brigas .. não iria ter nada .. 

Quando a gente ama o silêncio não traz paz, ele machuca .. ecoa .. grita .. lágrimas que não foram vistas, palavras que não foram ditas, ficaram presas na garganta, e um coração que está começando a entender e a entregar em desespero por não conseguir mais fingir que esqueceu [ou sequer conheceu] o Amor que nega.

Fala c/ Deus que vc não aceita e tá devolvendo o q ele te enviou e vc confessou em 10/10/24, qdo te falei: 'penso q encontrei quem eu procurava' e vc me respondeu: 'Faço minhas as suas palavras.' ..




domingo, 1 de março de 2026

Março 26

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O LIVRO DO CORDEIRO

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Em Eterna manutenção !  





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Eu Sou a Porta
Da Porta [Jo 10.1-18]
Das Formas [Nó]
Da Nossa História
Do Cerzidor
Do Labirinto
Das Bíblias
... à Eternidade ...
            ... da Paz!

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arrumações da mudança .. [intermináveis, em q ñ me conformo c/ a falta de defesa: sem novidade, pois a vida foi gerada a esse confronto e confirmação de/ssa/s natureza/s]; 
reflexões citas na desilusão e desgosto c/ a traição do abandono ;

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01/03 - .. faz 4 anos e 3 mêses q o Espírito Santo me enviou o SASSÁ de presente nos meus 58 anos, até q as trevas agiriam pelas mãos d meu irmão à face de Minha Mãe e deus pai q ñ moveu palha em favor do inocente, doado à Guarda Florestal [ato imperdoável]; 
02/03 - .. faz 2 anos e 4 meses da passagem da NOSSA QUERIDA MENINA [site - Collie] ..
03/03 - .. era p/ ser 1 nova situação, mas outra [real, mas oculta] se revela; ja+ pensei q seria renegado, mas assim foi s/ q eu imaginasse; e o q minha intuição falou, é, pq há outro, e td mentira espiritual se revela e confirma; falaram uma coisa q depende de $$ q inexiste: muito triste ;
04/03 - .. na 1ª vez, sumiu do dia p/ noite; na 2ª vez disse q  confundi‐mos as coisas; agora, na 3ª vez, a dispensa duma mentira; confessou amor q negou de forma desonesta; td culpa espiritual q permitiu tal fato s/ volta pq não há 4ª vez por guardiões da mentira q pelas costas agem e recebem a paga em favor do desprezo q Deus vê mas não age a justiça ;
05/03 - .. reflexões;
06/03 - .. tentei auxiliar e td deu errado;
07/03 - .. tô s/ chão c/ a história; e cedo recebi mens. p/ parar c/ a ideia, e lhe respondi : Espero q dê td certo. Desculpa o incômodo; fica tranquila. Cf. Vc pediu não + falo no assunto [e apaguei as últimas mens].. e guardo p/ mim e Deus o q sinto. Bom fds. Se cuida, do Pai e as crianças .. Abc ;

É muito duro qdo nosso coração não é reconhecido por quem se ama; qdo o desprezo impera c/ todas as nuances dos disfarces;
...
08/03 - .. desgosto e decepção;
09/03 - .. Hoje, Aniversário de 63 Anos de Casamento e da minha fecundação! .. [ide a 26/04]; .. desgosto pq será muito chato sem vc .. pq não tem outra vc .. e qto a casar, precisa muito p/ isso acontecer .. pq, trabalhar c/ pessoal doente, é uma coisa e assumir uma pessoa nesse estado é outra coisa bem diferente..
10/03 - .. tô extremamente arrependido de ter estendido minha mão de coração p/ quem aparentou verdade, mas bastou lhe servir p/ se virar contra mim em desprezo e desfeita à frente do espiritual de Almeida, ie., de md* q a 1 1/2 recebeu $$ p/ agir a separação; hj, raramente fala ou responde c/ oi p/ uma simples mensagem, sinal + q claro q o seu afã se findou pela ação da magia do espiritual q a nada coibiu e se faz por justo numa separação forçada por eles em fv de crescimento individual q não vinga, senão a distância q  uma cadeira de rodas imputa e revela quem é quem ; 
11/03 - .. tá difícil suportar ser evitado; a gde palhaçada espiritual q de antemão sabia o q seria e me fez passar pelo desprezo dos q podiam evitar, mas nunca estiveram por isso;
12/03 - .. até q hj, ela me notifica q volta a trab. c/ idosos e busca novo dia p/ me atender;
13/03 - .. reflexões;
14/03 - .. reflexões; à noite me fala q a $ q lhe emprestei está usando p/ outra coisa visto estar c/ problemas $$; diz q levou as crianças p/ mãe,  mas logo foi p/ festa e deixou o Pai só.. pq ela é bicho solto, noitada boa preparada d antemão, por isso devolveu os netos; não dá certo comigo; foi o q a md* da espiritualidade d md* me preparou pela consideração da latrina q me derramou; pena me mostrar uma pessoa q me fez crer ser a minha metade q assim não vinga: hj a noite acaba do jeito q o whisky gosta, pq não termina cedo nem no lugar q começou ..
...
15/03 - .. hj falou q foi pedalar, msm oculto do whisky [q sabe onde e qdo começa, mas não sabe como é o seu final : bicho solto] ..
16/03 - .. 7 às 8 hs, edição p/ livro, cabcs e footer DC; às 8.30, Visões; às 03.18 hs, txts gerais;
17/03 - .. às 16:30 hs, edição txts gerais ; após, tá muito difícil suportar a traição espiritual.. ie realmente phoda .. o pior tipo de canalhice .. em nov. 24, simplesmente ela virou as costas, magiada à frente do espiritual de md* q a tudo viu e nada coibiu, e agora, 1 1/2 ano após, nov/te ela me é retirada da presença, agora por causa da moto; 
18/03 - .. tô cansado de ouvir a léria espiritual du k@r@lhu pq vim a esta vida c/ o propósito q já cumpri às claras na net e não recebi a paga; se fui batizado, da msm forma por ela seria e não a palhaçada q ocorre desde q me encaminharam até à moça; mta canalhice espiritual.. muita, sem par.. até q a encontrei hj, fria como gelo, disse q nada q escrevo, lê, e assim confirmar o q vejo, no desgosto q sinto; não apago nenhuma mensagem, mas tb nada + escrevo devido o desprezo;
19/03 - .. desprezo da amarração q não foi coibida pelo espiritual  de ..
20/03 - .. nada responde, nada, após falar q lhe sou o Plano b p/ $ [só p/ isso sirvo, s/ ter $], seguido de q nada q lhe envio, lê, por falta de tempo; demorou mas a face se abriu aonde sou constrangido a suportar o q não recebi do espiritual de .. ; toda a magia ruiu pelo próprio Deus q me encaminhou p/ isso: é duro, mas nada posso falar pq serei exagerado ;
21/03 - .. alguém falou: desapega p/ q sinta falta e procure, qdo nd disso é pq está + q à vontade em total desprezo: nd q fiz tem valor nem se repete: dói muito, d+ essa forma..; assim como, por minha casa, sou ameaçado e destratado; agora, vendem-na s/ minha permissão: só tenho 1/4, então .. o desgosto é gde por tds as partes q busco sinceridade .. é mto triste o q o espiritual fez de me tratar como lixo s/ q eu o tenha por outro ;
...
22/03 - .. usam pessoas p/ recados q d nd valem pois me batizou e comigo falou, portanto, pode muda-la assim como comigo foi, caso queiram e tenham propósito maior no encarne d alma superior; d'outra ouvir: vc é o único q tocou onde nunca dantes foi; ela te ama mas ñ sabe falá-lo; assim: Quem gosta somente de conquistar, de ser desejado, de mexer com outro [sentir borboletas], no instante em q aparenta não precisar fazer muito para ter o outro, qdo alguém se acostuma em ser procurado, começa a parar d se responsabilizar pelo q constrói.. vira siclo, vai e vem .. encanta e some, reaparece .. e quem sente de verdade acaba ficando preso nisso. 
23/03 - ..  .. não há + gosto pq não há + verdade; o respeito e a consideração foram pro ralo na última 4ª feira qdo foi dito q nada lia por falta de tempo e de frente bateu ao falar: por acaso vc manda em mim? .. qdo nada disso foi, q culminou no fim de semana da farra; e agora, no fim d amizade q não responde ao boa noite : cansei d ser palhaço à frente do espiritual q nada coibiu ;
24/03 - .. hj foi dia de distância, nada + fala.. me evita ..
25/03 - .. hj, nd mantém e desfaz qquer possibilidade.. não tenho o q fazer num lugar q comigo não fala, responde, c/ desprezo à mão q estendo ; duro é q o espiritual viu e nada coibiu ; Quem gosta somente de conquistar, de ser desejado, de mexer com outro, no instante em q aparenta não precisar fazer muito para ter o outro, quando alguém se acostuma em ser procurado, começa a parar de se responsabilizar pelo q  constrói.. vira siclo, vai e vem .. encanta e some, reaparece .. e quem sente de verdade acaba ficando preso nisso.
26/03 - .. cada instante + vejo a palhaçada espiritual q permitiu a moça ser magiada desde sempre .. 
27/03 - .. reflexões;
28/03 - .. tratado como lixo p/ meu irmão; preciso $ p/ sair deste lugar e a Graça de Deus p/ alguém em minha vida q tenha caráter p/ assumir um doente, cadeirante ;
...
29/03 - .. Faz 1 ano e 7 meses q o Nosso Pirralho faleceu ; .. meu menino, filho do meu ❤️ q nestes dias é tripudiado pelo espiritual de Almeida q me fez crer e investir na q me encaminharam, q não é recíproca: tô cheio .. não + suporto tamanha canalhice do espiritual nem a léria fiada dos  q se dizem leitores de sinais de md* ; desgosto, decepção e desilusão c/ Deus pai, seus anjos e arcanjos de md* q permitiram magia q desfez uma relação destinada;
30/03 - .. hj falei c/ ela q me tratou no gelo; está c/ outra pessoa, caso; nem sei p/ quê vem na 4ª, vez q tudo q agiu e falou, jogou pelo ralo; pq no instante em q se abria e a conexão luzia, ela simplesm/te virou as costas assim como em nov/dez 24, magiada : essa é a farsa espiritual;
31/03 - disse q vem amanhã, mas nem clima há dep. dela jogar td no lixo .. igualando fins de 24, qdo, magiada, sumiu; ainda assim, lhe enviei 100 p/ olhar nos olhos uma última vez frente ao espiritual de md* q me encaminhou p/ [re]conhecê-la, sabendo o q ocorreria e usando a boca de cartomantes p/ contornar seu périplo do inferno ;